Trabalho de design de produto é ponto de partida para inovação, mas fabricação deve ser resguardada pela lei de propriedade intelectual

O processo de criação de um produto depende do trabalho de um desenhista industrial e começa com uma avaliação sobre o que já existe no mercado. “A primeira etapa é de observação e pesquisa”, diz o desenhista industrial responsável pelo núcleo de design e transporte da Indio da Costa A.U.D.T, Guto Indio da Costa.

Segundo ele, a atuação do designer (designação dada a este profissional), é extremamente abrangente. Um exemplo é a variedade de projetos tocados simultaneamente por sua equipe. “Trabalhamos no desenho de um barco, de um veículo elétrico urbano e no desenvolvimento de um ventilador de teto e de uma torneira. Quando alguns segmentos do mercado não vão bem, outros estão melhores, o que nos garante uma demanda constante.”

Costa conta que após a pesquisa, a equipe de designers desenvolve várias propostas para que o cliente selecione uma. Em seguida, tem início a fase técnica, para transformar o projeto em um produto de verdade.

“Fazemos maquete de tamanho real, protótipos, estudo de engenharia, estudo financeiro de viabilidade técnica e comercial. É uma etapa crucial, porque muitas vezes um grande conceito não se viabiliza.” Se o produto satisfaz a todos, inicia-se a etapa final na qual o protótipo passa a ser fabricado em série.

Propriedade intelectual. Permeando todo esse processo, está a gestão da propriedade intelectual. “Antes de começar um novo projeto é importante saber o que já existe registrado ou patenteado. Contratamos um escritório de advocacia que faz buscas sobre o tema no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).” Não havendo o risco de cópia, o projeto é levado adiante.

Costa diz que muitas vezes cede a patente para o cliente, em outras, fica com a patente e cede royalties. “A segunda opção é mais vantajosa para pequenas empresas, porque reduz o investimento no projeto”, conclui.

Segundo a presidente da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI), Elisabeth Kasznar Fekete, a propriedade intelectual é um diferencial para o pequeno e médio empreendedor se destacar e crescer no mercado. “A conscientização está aumentando, mas ainda temos um longo caminho. Um dos papéis da ABPI é divulgar os benefícios do registro de marcas, patentes, desenho industrial, software, desenhos autorais e de novas variedades vegetais”, afirma.

Para discutir a propriedade intelectual como fator de desenvolvimento econômico, competitividade industrial e atração de investimentos, a ABPI realiza, a partir deste domingo (24) a 26 de agosto, o XXXIV Congresso Internacional da Propriedade Intelectual, no Sheraton São Paulo WTC Hotel, localizado na Avenida das Nações Unidas, 12.551 – Brooklin Novo – São Paulo. Outras informações no site www. abpi. org.br .

Elisabeth conta que, pela primeira vez, a ABPI vai apresentar como as pequenas e médias empresa podem ir à Bolsa de Valores e obter financiamento para se tornarem inovadoras e crescerem. “Na segunda-feira, teremos um painel sobre financiamento e acesso à Bolsa, mostrando as propostas voltadas à essas empresas.”

Segundo ela, no final do congresso, a ABPI entregará ao governo uma série de propostas nas áreas de biotecnologia, lei de inovação, incentivos fiscais, biodiversidade, acesso a recursos genéticos, desenho industrial, direito autoral e transferência de tecnologia.

Inovação. No mercado desde 2010, a Desenharia Industrial Design é comandada pelo casal curitibano Daniel Rombaldi Genaro e Juliana Paula Rodrigues Genaro.

Segundo ele, cada vez mais as empresas buscam inovação e contratam escritórios de design de produtos para concretizarem seus projetos. “O designer está sendo mais difundido, há um crescimento ainda tímido, mas acredito que a tendência é melhorar cada vez mais. Nossa empresa tem crescido entre 15% e 20% ao ano”, comenta.

Genaro afirma que ao concluir um trabalho, sempre recomenda ao cliente que faça o registro do produto. “Mas até onde sei, apenas dois projetos foram registrados pelos meus clientes. Um é o Mr. Poops, um coletor higiênico mecânico de fezes canina. O outro é o Move, um braço articulado para monitores, que se adapta às necessidades ergonômicas do usuário”, conclui.

Já o fundador da Fábio Pucca Desenhos Técnicos, afirma que muitas empresas não se preocupam em desenvolver um produto original. “Muitos trazem artigos da China e fazem moldes para começar o negócio. Ainda são poucas as empresas que investem em designer.”

Pucca conta que também recomenda aos clientes que registrem os produtos que desenvolvem. “É importante por causa da facilidade que as pessoas têm de fazer cópias. Trabalhamos em cima de criatividade, conceitos e necessidades dos clientes. Isso tem um custo. Só com o registro é possível evitar as cópias ou punir quem as faz.”

Referência: http://economia.estadao.com.br/blogs/sua-oportunidade/registro-e-patente-protegem-investimento/